Uma justa indagação aos leitores desse blog é a pergunta sobre o significado do seu nome. E favor não confundir com o "guajará", município do Estado do Amazonas e cujo significado ignorantemente desconheço. Um acento...esse risquinho que pode fazer uma grande diferença.
A primeira vez que tive contato com a significação de Guajara, foi no período de rato de biblioteca da Universidade de Brasília, onde o pobre estudante de filosofia frequentava aquelas intermináveis estantes de livros, grandes muralhas do saber, para nos livrar do jugo da ignorância, mesmo que se cercar de vários livros também se pode levantar um perigoso cativeiro difícil de ser resgatado. Entre os deleites do deslizar das páginas correndo o risco de se contaminar com algum residente indesejável nas páginas cheirando a mofo além da pretensa sabedoria colocada ali; sim, mais do que o saber que podia-se aspirar na leitura poderia vir o indesejável brinde de um vírus ou bactéria.
E um dia lendo o dicionário do Silveira Bueno - só pra ver o que diferenciava do Michaelis, Aurélio e Houaiss - abrindo uma página quase que ao acaso encontro um verbete sobre GUAJARA, hoje só lembro que falava que era um duende do folclore cearense. Foi o bastante para simpatizar com a criatura. Guardei o termo por algum motivo achando que um dia iria usá-lo.
Uma coisa que chamou a atenção foi que nos outros dicionários mais "badalados" não existia o verbete. Tal como o soldadinho- do - araripe e a jandaíra, este ser endêmico correria o risco de desaparecer em breve esmagado pela roda (alcochoada com correntes) do tempo da Modernidade. Então o Wikipedia, passou-me mais informações.
Então o que chamou minha atenção foram algumas de suas características: assustar, fazer barulho, confundir, e principalmente: atrapalhar a calma habitual e gritar pelo caminho.
A calma habitual é esta porcaria que está aí, quase que rebatizando a humanidade para bovinidade dado como vamos mansos em rebanho solenemente para o matadouro, cerceando a liberdade mas tendo pasto, água e sal...que mal pode ocorrer? Mas as coisas vão mal! Quem uma vez na vida acompanhou causos de peões boiadeiros sabem que volta e meia seus maiores temores acontecem: estouro da boiada. Aí não tem quem segure, e coitado de quem desafortunamente está no meio do caminho. E depois do estouro volta novamente para a mansidão, para a "calma habitual". Poderíamos pensar num estouro de boiada organizado, capaz de derrubar as cercas, o matadouro e os peões?
Gritar pelo caminho então...Gritar é preciso. Sair da normalidade imposta, no silêncio que oprime, dos murmúrios das meias-verdades, os gritos de plenos pulmões de quem está decidido no que vai dizer; saltando pelas ideologias do entendimento e trapaças da consciência, os gritos tem de sair da alma.
Ahh...o Guajara também se disfarça de pato. Gosto muito de pato, bicho que voa, nada, caminha...tem uma simbologia que precisa ainda ser reconhecida e levada em consideração. Adoro uma patinha.
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