Hoje bateu uma vontade de escrever. Que coisa boa, sem motivos aparentes, sem inspirações, insights tempestivos ou algo de monta. Escrever, ação e disposição definitiva no ato. Falar aleatóriamente o que vem na telha. Pulsamento Kerouac? kkkkk. Pé na estrada numa rota íntima da minha alma, e deve seguir com portentoso pé na bunda de muitos sentimentos e situações que te machucam e rasga muito mais do que seixos pontiagudos ou espinho de Tucum.
Algumas coisas são evitáveis e outras inevitáveis na vida. Simples assim. Ter sabedoria para distinguir as primeiras das segundas, e saber suportas estas, talvez seja a fórmula mais simples pra se viver bem. Ter uma boa vida. O passo primeiro do caminhar contínuo que é viver.
Deixaram Lula se despedir do neto. Nem de longe acredito em bons sentimentos de quem deu a permissão. Apenas quis jogar pra mídia e pra população que o sistema não é tão mal assim e que Lula não está sendo perseguido, foi condenado em um processo justo, cumprindo por seus crimes... tá. O mais triste nessa história claro foi o falecimento de uma criança. Mas a alegria mórbida manifestas em muitas criaturas pelo ocorrido leva-se a se perguntar sobre o que está acontecendo com o Brasil, historicamente tão passional e emotivo, principalmente quando o assunto é morte, seja do inimigo que for, do monstro fosse. Além do crepúsculo da empatia, alvorece um sombrio sadismo coletivo de boa parte da população brasileira. O país está doente.
guajara
domingo, 3 de março de 2019
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Poema de Maio I
"Estou tão cansado de tudo que nada me anima mais
até o que era prazer virou compulsão."
Para Jotagê
Você não é o único
e essa afirmação antes de consolar
acinzenta mais ainda a luz que nos situa
amolece mais ainda o chão sob nossos vacilantes, pés
esfria mais ainda o vento cortante
que nos açoita nessa imensa solidão compartilhada
Apenas queríamos ser Fortes
de uma Força que para o pouco e para o muito bastasse
Apenas queríamos ser Bons
de uma Bondade que chega feito raio de sol
Só queríamos ser Tranquilos
de uma Tranquilidade que não espera o momento certo ou errado
mas o momento que chega
Só queríamos ser Alegres
de uma Alegria que refresca como banho de cachoeira
Fortalezas
para que nada estraçalhasse
nossa delicada perfeição
mas qual
quaquaraquaqua
Tolos fomos
quando achávamos ser heróis ao nadar contra a corrente
e não percebemos
que estamos em um cruel redemoinho.
domingo, 4 de março de 2018
Ceara x Fortaleza
salve camaradas!
Depois desse hiato, pensei, e ainda penso, escrever sobre variados assuntos, do assassinato de um universitário nas proximidades de palácio de governo, a guerra da Síria...guerra, guerra, ....queria falar só do Guerra do Palmeiras que não merece a reserva...mas enfim, pena que o mundo é mundo e ainda exista esse tipo de acontecimento.
Mas acabei resolvendo falar, "das coisas importantes a menos importante"Sim, falar de futebol, e pra quem não gosta, não entende, que tem um DNA alienígena e não dá a mínima pro assunto (tenha meu respeito e minha inveja), vou falar de 44 pernas que correm durante 90 minutos - com intervalo de 15 min que ninguém é de ferro, nem o Messi - e um monte de gente, torcendo e morrendo nesse meio tempo. Torcer e Morrer não são metáforas...
Algum leitor incauto - sou otimista, sempre acredito que minhas dezenas de leitores irao virar uma centena - vai pensar que vou falar da champions league, campeonatos europeus, Liberta, badalados times nacionais...Mas não, meus minguados leitores entenderão eu falar do crássico Ceará x Fortaleza.
Em um Estado Maravilhoso, que se não tomar cuidado em nada vai ficar devendo a Mogadiscio ou Bagdad....
Mas isso é outro assunto. Vamos voltar pra coisa menos importante das mais importantes.
O clássico foi 1x 1. Merecido. Acho que o Ceará merecia ganhar. E sou Fortaleza.
E aí começa o drama.
Ontem dia 03 meu finado pai faria anos...ele é Ceará doente...eu deveria seguir o caminho, mas sou Fortaleza e só sai do armário na idade adulta, pra ele dizer, sem muita convicção, que nunca imaginou ter um filho torcedor tricolor...Enfim, sabedoria as vezes vai no tranco e tu demora pra saber que naquele momento e situação, mandaste bem pra karay...isto demora tempo e tino, não se anseie. Honestamente, nunca vou zoar ou desejar mal, pro "inimigo", nunca vou olhar se a grama do vizinho tá mais verde, vou cuidar das minhas espigas. E meu velho me proporcionou isso, respeito as diferenças,contrário e contraditório...Não deixa de ter sua graça: acho que o pai queria dizer que das coisas importantes, o futebol é a menos importante...|A sabedoria as vezes chega de jegue e quando chega já tinha chegado. E como isso tem suas ramas...hoje sou pai e tento passar que antes de julgar tem de respeitar o que no primeiro minuto parece ser muito diferente de nossa convicções e doutrinações; mas só no primeiro minuto.
"das coisa importantes, o futebol é a menos importante".
Depois desse hiato, pensei, e ainda penso, escrever sobre variados assuntos, do assassinato de um universitário nas proximidades de palácio de governo, a guerra da Síria...guerra, guerra, ....queria falar só do Guerra do Palmeiras que não merece a reserva...mas enfim, pena que o mundo é mundo e ainda exista esse tipo de acontecimento.
Mas acabei resolvendo falar, "das coisas importantes a menos importante"Sim, falar de futebol, e pra quem não gosta, não entende, que tem um DNA alienígena e não dá a mínima pro assunto (tenha meu respeito e minha inveja), vou falar de 44 pernas que correm durante 90 minutos - com intervalo de 15 min que ninguém é de ferro, nem o Messi - e um monte de gente, torcendo e morrendo nesse meio tempo. Torcer e Morrer não são metáforas...
Algum leitor incauto - sou otimista, sempre acredito que minhas dezenas de leitores irao virar uma centena - vai pensar que vou falar da champions league, campeonatos europeus, Liberta, badalados times nacionais...Mas não, meus minguados leitores entenderão eu falar do crássico Ceará x Fortaleza.
Em um Estado Maravilhoso, que se não tomar cuidado em nada vai ficar devendo a Mogadiscio ou Bagdad....
Mas isso é outro assunto. Vamos voltar pra coisa menos importante das mais importantes.
O clássico foi 1x 1. Merecido. Acho que o Ceará merecia ganhar. E sou Fortaleza.
E aí começa o drama.
Ontem dia 03 meu finado pai faria anos...ele é Ceará doente...eu deveria seguir o caminho, mas sou Fortaleza e só sai do armário na idade adulta, pra ele dizer, sem muita convicção, que nunca imaginou ter um filho torcedor tricolor...Enfim, sabedoria as vezes vai no tranco e tu demora pra saber que naquele momento e situação, mandaste bem pra karay...isto demora tempo e tino, não se anseie. Honestamente, nunca vou zoar ou desejar mal, pro "inimigo", nunca vou olhar se a grama do vizinho tá mais verde, vou cuidar das minhas espigas. E meu velho me proporcionou isso, respeito as diferenças,contrário e contraditório...Não deixa de ter sua graça: acho que o pai queria dizer que das coisas importantes, o futebol é a menos importante...|A sabedoria as vezes chega de jegue e quando chega já tinha chegado. E como isso tem suas ramas...hoje sou pai e tento passar que antes de julgar tem de respeitar o que no primeiro minuto parece ser muito diferente de nossa convicções e doutrinações; mas só no primeiro minuto.
"das coisa importantes, o futebol é a menos importante".
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Oi nas qui traves
Quem se pergunta por onde começar não deveria nem começar.
diálogo com Mr Goliardo revela muita coisa sobre a descontinuidade dessas erráticas descrevências:
A questão é que tento escapar de uma armadilha muito bem armada por vacilo meu, miro no Kafka, Buka, Kerouac...esses caras escreviam com coração, tripas, alma e hj minha alma é morta, sou como o homem de lata do mágico de oz.. e as tripas só conduzem a merda de uma comida mal ingerida
Armadilhas bem armadas diga-se de passagem.
Ele retruca que isso já é poesia...e quer saber, é mesmo, mas o que deveria bastar não serve nem pra deixar cheiro no cocho...
Queria falar de umas coisas mas outras coisas atropelaram o caminho.
Brasília foi pensada pra se andar de automovel; alguém duvida? Queria ter um amigo fundamentalista cristão pra provocar: se a criação fosse fato, quem nasce em Brasília deveria nascer com pés firestonicamente redondos...cidade pensada pra gastar combustíveis fósseis ou etanoicos ou então fica em casa que já tá bom demais.
Pedalar seria uma alternativa? Ora se seria...
Caminhar hj é um ato de rebeldia, pedalar sem consumir combustíveis fósseis e sem pagar impostos ou tributos..ai...ai se esse ai não fosse uma estoca na minha mão, no meu braço, no meu sovaco...
Pedala robinho? Pedala Arlon! Pena que no seu caso vc driblou tantas dificuldades, tantas restrições e limitações, mas o ferro frio de nada disso quis saber,
morreste pra quê? pra dizer que tanto faz ser assassinado nos extremos no gama, brazlandia, ou palácio do buriti?
Ai de ti, e ai de nós...
Brasília mais do que nunca deixou de ser Bras-ilha...,não pilha...Ilha do Diabo, Papillonicamente...feliz daqueles que irão gritar arlonicamente nos típanos de uma sociedade que acha que crime feito não pode acontecer debaixo de vossas marquises....e alguém se esvanecendo em sangue e vida pedindo por socorro e a única luz no fim do túnel que se vê são os faróis que passam rapidamente sem reduzir... não vão parar de gritar:
AINDA ESTOU VIVO, DESGRAÇADOS!!!
diálogo com Mr Goliardo revela muita coisa sobre a descontinuidade dessas erráticas descrevências:
A questão é que tento escapar de uma armadilha muito bem armada por vacilo meu, miro no Kafka, Buka, Kerouac...esses caras escreviam com coração, tripas, alma e hj minha alma é morta, sou como o homem de lata do mágico de oz.. e as tripas só conduzem a merda de uma comida mal ingerida
Armadilhas bem armadas diga-se de passagem.
Ele retruca que isso já é poesia...e quer saber, é mesmo, mas o que deveria bastar não serve nem pra deixar cheiro no cocho...
Queria falar de umas coisas mas outras coisas atropelaram o caminho.
Brasília foi pensada pra se andar de automovel; alguém duvida? Queria ter um amigo fundamentalista cristão pra provocar: se a criação fosse fato, quem nasce em Brasília deveria nascer com pés firestonicamente redondos...cidade pensada pra gastar combustíveis fósseis ou etanoicos ou então fica em casa que já tá bom demais.
Pedalar seria uma alternativa? Ora se seria...
Caminhar hj é um ato de rebeldia, pedalar sem consumir combustíveis fósseis e sem pagar impostos ou tributos..ai...ai se esse ai não fosse uma estoca na minha mão, no meu braço, no meu sovaco...
Pedala robinho? Pedala Arlon! Pena que no seu caso vc driblou tantas dificuldades, tantas restrições e limitações, mas o ferro frio de nada disso quis saber,
morreste pra quê? pra dizer que tanto faz ser assassinado nos extremos no gama, brazlandia, ou palácio do buriti?
Ai de ti, e ai de nós...
Brasília mais do que nunca deixou de ser Bras-ilha...,não pilha...Ilha do Diabo, Papillonicamente...feliz daqueles que irão gritar arlonicamente nos típanos de uma sociedade que acha que crime feito não pode acontecer debaixo de vossas marquises....e alguém se esvanecendo em sangue e vida pedindo por socorro e a única luz no fim do túnel que se vê são os faróis que passam rapidamente sem reduzir... não vão parar de gritar:
AINDA ESTOU VIVO, DESGRAÇADOS!!!
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Não esqueci vcs não...Mas queria tanto falar algo que impactasse...chegasse junto sem dó e piedade, rindo da sua dor...aquele riso nervoso de quem sabe que nada está bem, mas que de alguma maneira faria vc rir tb.
Fazer vc rir, se emotivar...emotivar...pensei isso agora; tudo é para se "motivar", mas quais seus motivos? Entendes ou melhor entender pra mais depois?
Quero ser o poeta pra emotivar
Mô e pa ti
mô ti vá
ei mô...motivá
Mas é mesmo que isso...talvez nesse momento no mundo, e que se foda o mundo, falo de mim e de ti, não precisamos tanto assim de "motivações" mas de "emotivações", vc se emocionar, apaixonar, se dá e se cobrar...
Meu ponto é...pra quê aprender a pensar tanto e ser incapaz de se colocar no lugar, no covil, cova do outro? Dos outros...Dws Outrws...(pra ser politicamente correto....).
Vms continuar essa discussão...Talvez pensar como guarnição principal não seja tão importante assim...nem ter essa guarnição como guia principal...Mais emotivações em nossas vidas.
Fazer vc rir, se emotivar...emotivar...pensei isso agora; tudo é para se "motivar", mas quais seus motivos? Entendes ou melhor entender pra mais depois?
Quero ser o poeta pra emotivar
Mô e pa ti
mô ti vá
ei mô...motivá
Mas é mesmo que isso...talvez nesse momento no mundo, e que se foda o mundo, falo de mim e de ti, não precisamos tanto assim de "motivações" mas de "emotivações", vc se emocionar, apaixonar, se dá e se cobrar...
Meu ponto é...pra quê aprender a pensar tanto e ser incapaz de se colocar no lugar, no covil, cova do outro? Dos outros...Dws Outrws...(pra ser politicamente correto....).
Vms continuar essa discussão...Talvez pensar como guarnição principal não seja tão importante assim...nem ter essa guarnição como guia principal...Mais emotivações em nossas vidas.
sábado, 9 de setembro de 2017
Vidas engarrafadas
Pode existir algo mais deprimente que um engarrafamento em um dia de sol?
Ok pode existir sim mas sem dúvidas que nas mazelas cotidianas dos corres da vida ele merece um lugar no top dez.
Houve um presidente brasileiro, coincidentemente xará meu, que nos legou uma pérola: "governar é abrir estradas". Taí uma frase de cunho metafísico que permite diversas interpretações e especulações e nada de quer reduzí-la, dada uma certa descrença com os políticos brazucas, a tão somente como uma possibilidade de alegrar o espírito e engordar a conta bancária de empreiteiros e donos de concessionárias.
Claro que se pensarmos na transamazônica, obra colossal que liga o nada a lugar nenhum, podemos mais uma vez questionar se precisamos tomar certos rumos na vida. Ou somos apenas tangidos por habilidosos e implacáveis vaqueiros.
Quando li On The Road fiquei com a sensação que rodovia, automóvel, significava liberdade, um modo de vida, uma contestação de valores...talvez nos idos de 1950 sim. Talvez chegue uma época em que o possuidor de um automóvel venha a ser visto como um pobre estúpido, por mais espaçoso e potente motor que fosse o seu modelo.
Pior do que uma dependência do automóvel, na qual a pessoa desaprende até a ir na padaria caminhando, ou acha impensável a possibilidade de se ir a algum evento que não seja acoplado ao seu meio de transporte, é se sentir como uma extensão do veículo ou vice-versa: "algum idiota amassou meu parachoque no estacionamento"...Errado! amassou o parachoque do carro! Parece ser uma coisa simples mas não é!
Uma sociedade baseada em pneus é uma sociedade que segue para bater as bielas, fundir o motor e tudo o mais.
E nos engarrafamentos constantes, diários, previstos, experimente observar a cara dos motoristas, geralmente solitários, já vi caras melhores em velórios e filas de hospitais.
Mas o ápice da tristeza e revolta com esse modo de ser e sobreviver - sim, sobreviver miseravelmente por mais que seu possante esteja na moda - é quando aparece uma ambulância com suas sirenes avisando que tá com presa e tem uma vida em jogo. O esforço pra facilitar sua passagem é mínima pra não dizer nulo; subir no meio - fio ou na grama pra facilitar a passagem as vezes acontecem só muito depois (nessa situação alguns segundos podem ser decisivos), da insistência e pra se livrar daquele barulho chato e impertinente, e não pela vida que talvez esteja mais pra lá do que pra cá. Não existe solidariedade nos engarrafamentos; cada um com sua garrafa...em algumas veias já correm óleo sintético e alguns corações pulsam como pistão.
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
Raulseixismo
Sábado passado fui a um show em homenagem a Raul Seixas. O evento foi na Casa do Cantador, um adorável local onde se valoriza a cultura nordestina. Muita gente esquece que Raul era um compositor baiano e que de uma maneira sui generis também celebrou a música nordestina e a elevou a patamares que ombreiam com os feitos musicais de Jackson do Pandeiro ou João do Vale.
Difícil definir uma figura como, fico com a proximidade da definição dada pelo amigo filósofo Eliseu Amaro há alguns anos: "um cara muito inteligente, extremamente criativo e que criou um caminho único na Música popular Brasileira; agora, ele tem umas saídas pra espiritualidade de Era de Aquário, misticismo esotérico que hoje em dia não dá mais pra embarcar". E não dá mesmo. Não tem como esperar pela carona do moço do disco voador e muito menos ficar vendo o bem vindo de braços e abraços num romance astral...
Mas Raul foi muito mais que um bicho-grilo mistificador. Sua anárquica Sociedade Alternativa onde fazes o que tu queres há de ser tudo da lei, colocando em xeque toda autoridade imposta de cima para baixo não passaria despercebida pela ditadura dos anos de chumbo. Crítico social ferino e de sutil ironia, como a sua - cantada por Sérgio Sampaio - Todo mundo está feliz ou ainda a inquietante Metamorfose Ambulante, mais uma vez colocando a se perguntar pra quê métodos, classificações ou determinismos quando se trata de nossa existência.
Mesmo com as homenagens post-mortem Raul segue sendo um grande injustiçado. Duplamente injustiçado. Por um lado - mas esse com certeza o cara que ousou fundir rock'n'roll com baião não esperaria grande coisa - a grande crítica "especializada", homenagear nas coxas Dom Raulzito, de forma caricata, folclórica, apenas um irreverente que acabou por afundar nas drogas ilícitas e no licituoso álcool.
Por outro lado - e esse certamente haveria daria uma ponta de tristeza no Maluco Beleza - o injustiçamento dado por seus fãs, seus "seguidores", que aparentam criar um culto a Raul, um "Raulseixismo" onde os seguidores entoam hits do cantor, raulseixistas que se preza em qualquer show que esteja presente sempre há de gritar o famoso "toca Raul" em algum momento. Os iniciados sempre com óculos esculos, cabelo desengrenhado e barbicha...aproximando ao máximo em aparência do ídolo. Uma caricatura.
Assim como os "especializados" os "raulseixistas" também apenas folclorizam a arte do ídolo. Mesmo com refrões e letras inteiras de sucessos na ponta da língua esquecem que antes de ler o livro que o guru lhe deu você tem que escrever o seu.
Melhor do que cultuar Raul na acomodação da cerveja ou na pose de mais filhote do maluco beleza que não tem maluquez e muito menos beleza, seria "culturar" a fundo sua obra, compreendendo todo um engajamento visando a transformação social, política e cultural. Afinal, falta de cultura pra cuspir na estrutura é que era o x da questão. Se acomodar nesta estrutura carcomida e carcomizadora na qual o grande Raul, mais do que cuspir, derrubar e superar, era o grande sonho do Maluco, um sonho que ele não queria sonhar só, mas sonhar junto, pois um sonho que se sonha junto é realidade.
https://www.youtube.com/watch?v=w4Pv286KcUY
Difícil definir uma figura como, fico com a proximidade da definição dada pelo amigo filósofo Eliseu Amaro há alguns anos: "um cara muito inteligente, extremamente criativo e que criou um caminho único na Música popular Brasileira; agora, ele tem umas saídas pra espiritualidade de Era de Aquário, misticismo esotérico que hoje em dia não dá mais pra embarcar". E não dá mesmo. Não tem como esperar pela carona do moço do disco voador e muito menos ficar vendo o bem vindo de braços e abraços num romance astral...
Mas Raul foi muito mais que um bicho-grilo mistificador. Sua anárquica Sociedade Alternativa onde fazes o que tu queres há de ser tudo da lei, colocando em xeque toda autoridade imposta de cima para baixo não passaria despercebida pela ditadura dos anos de chumbo. Crítico social ferino e de sutil ironia, como a sua - cantada por Sérgio Sampaio - Todo mundo está feliz ou ainda a inquietante Metamorfose Ambulante, mais uma vez colocando a se perguntar pra quê métodos, classificações ou determinismos quando se trata de nossa existência.
Mesmo com as homenagens post-mortem Raul segue sendo um grande injustiçado. Duplamente injustiçado. Por um lado - mas esse com certeza o cara que ousou fundir rock'n'roll com baião não esperaria grande coisa - a grande crítica "especializada", homenagear nas coxas Dom Raulzito, de forma caricata, folclórica, apenas um irreverente que acabou por afundar nas drogas ilícitas e no licituoso álcool.
Por outro lado - e esse certamente haveria daria uma ponta de tristeza no Maluco Beleza - o injustiçamento dado por seus fãs, seus "seguidores", que aparentam criar um culto a Raul, um "Raulseixismo" onde os seguidores entoam hits do cantor, raulseixistas que se preza em qualquer show que esteja presente sempre há de gritar o famoso "toca Raul" em algum momento. Os iniciados sempre com óculos esculos, cabelo desengrenhado e barbicha...aproximando ao máximo em aparência do ídolo. Uma caricatura.
Assim como os "especializados" os "raulseixistas" também apenas folclorizam a arte do ídolo. Mesmo com refrões e letras inteiras de sucessos na ponta da língua esquecem que antes de ler o livro que o guru lhe deu você tem que escrever o seu.
Melhor do que cultuar Raul na acomodação da cerveja ou na pose de mais filhote do maluco beleza que não tem maluquez e muito menos beleza, seria "culturar" a fundo sua obra, compreendendo todo um engajamento visando a transformação social, política e cultural. Afinal, falta de cultura pra cuspir na estrutura é que era o x da questão. Se acomodar nesta estrutura carcomida e carcomizadora na qual o grande Raul, mais do que cuspir, derrubar e superar, era o grande sonho do Maluco, um sonho que ele não queria sonhar só, mas sonhar junto, pois um sonho que se sonha junto é realidade.
https://www.youtube.com/watch?v=w4Pv286KcUY
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Mesmo na crise e principalmente por ela, poetar é bom pra rasgar
Imagino várias séries para este espaço de escrivinhamento...mas poemas sempre hão de pingar, respingar, molhar e enxurrar...
Nesse tempo de secura
clima de deserto
decerto
loucura
Nesse tempo de secura
clima de deserto
decerto
loucura
O único Oasis possível
para mim tem de ter
a maciez do teu colo
a sombra dos teus cachos
e a umidade dos teus lábios
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Luiz Melodia - Pérola Negra [Full Album]
Dia 04 passado nos deixou um grande artista. Mais um. Morte é coisa da vida. Ou a vida é coisa da morte? Já não tenho certeza em quase mais nada e entendam esse quase como um mirradinho que em um simples sopro de nada some da frase. Talvez tenha uma sobrevida pela convicção de que é quase sempre melhor atrasar do que faltar quando se trata de homenagens. Olha o quase de novo. Quase.
Sim, como o terminal do Tietê em São Paulo, na vida são incessantes as chegadas e partidas. Tem sempre alguém chegando e alguém partindo. Tudo pode ser reduzido a encontros e despedidas; intersecciondado por achados e desencontros. Somos passageiros, cuidado perpétuo pra não perder o bonde pelo peso da bagagem.
Uma forma de consolo duvidoso é dizer que os bons vão embora cedo. Digo duvidoso porque significa que os maus, pelos menos os não muito bons ficam, inclusive eu e você.
No caso do Melodia, e seguindo o raciocínio do paragráfo anterior, é que um bom artista se foi, e nem entro na discussão que ficaram maus, o problema é que não se vê bons chegando, não muito bons, pelo menos. Mas isso é muito subjetivo pra se defender com argumentos. Melhor esperar o que o rádio, o youtube ou o barzinho da vizinhança nos reserva amanhã.
terça-feira, 1 de agosto de 2017
Chegou Agosto
Chegou Agosto
Mês Augusto
Que não sei
a quanto custo
virou mês do
desgosto
Mas degusto
o encosto
suposto.
Não discuto
quiçá escuto
com gosto
findo imposto.
Vejo disposto
o chegar de Agosto.
Mês Augusto
Que não sei
a quanto custo
virou mês do
desgosto
Mas degusto
o encosto
suposto.
Não discuto
quiçá escuto
com gosto
findo imposto.
Vejo disposto
o chegar de Agosto.
domingo, 30 de julho de 2017
MULHERES NEGRAS COM LEGENDA AO VIVO - YZALU E EDUARDO
"Na periferia, a pomba branca da paz morreu, acertada por uma bala perdida". J. Goliardo
J. Goliardo ainda me apresentou esta cantora que faz de cada verso uma denúncia, um reconhecimento, uma narrativa partindo da boca e da alma do oprimido, sem passar pela pasteurização do opressor ou de seus fantoches contestadores. A voz de alguém que não aceitou a ordem pra aguentar calado.
A frase acima é de um grande parceiro que tem uma aguda percepção para a realidade das ruas; e isso ainda me faz pensar que além de cuidados com picadas do Aedes ainda temos que nos precaver contra uma nova epidemia que em várias partes do Brasil não escolhe onde fazer suas vítimas, residências, escolas, creches...qualquer pessoa em área de risco está a mercê de ser encontrado por uma bala perdida. Lembrando que a bala não é tão "perdida" assim, afinal, ela não passa de um efeito colateral dentro de uma planejada política de extermínio e controle social.
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