segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Raulseixismo

Sábado passado fui a um show em homenagem a Raul Seixas. O evento foi na Casa do Cantador, um adorável local onde se valoriza a cultura nordestina. Muita gente esquece que Raul era um compositor baiano e que de uma maneira sui generis também celebrou a música nordestina e a elevou a patamares que ombreiam com os feitos musicais de Jackson do Pandeiro ou João do Vale.

Difícil definir uma figura como, fico com a proximidade da definição dada pelo amigo filósofo Eliseu Amaro há alguns anos: "um cara muito inteligente, extremamente criativo e que criou um caminho único na Música popular Brasileira; agora, ele tem umas saídas pra espiritualidade de Era de Aquário, misticismo esotérico que hoje em dia não dá mais pra embarcar". E não dá mesmo. Não tem como esperar pela carona do moço do disco voador e muito menos ficar vendo o bem vindo de braços e abraços num romance astral... 

Mas Raul foi muito mais que um bicho-grilo mistificador. Sua anárquica Sociedade Alternativa onde fazes o que tu queres há de ser tudo da lei, colocando em xeque toda autoridade imposta  de cima para baixo não passaria despercebida pela ditadura dos anos de chumbo. Crítico social ferino e de sutil ironia, como a sua - cantada por Sérgio Sampaio - Todo mundo está feliz ou ainda a inquietante Metamorfose Ambulante, mais uma vez colocando a se perguntar pra quê métodos, classificações ou determinismos quando se trata de nossa existência.

Mesmo com as homenagens post-mortem Raul segue sendo um grande injustiçado. Duplamente injustiçado. Por um lado - mas esse com certeza o cara que ousou fundir rock'n'roll com baião não esperaria grande coisa - a grande crítica "especializada", homenagear nas coxas Dom Raulzito, de forma caricata, folclórica, apenas um irreverente que acabou por afundar nas drogas ilícitas e no licituoso álcool.

Por outro lado - e esse certamente haveria daria uma ponta de tristeza no Maluco Beleza - o injustiçamento dado por seus fãs, seus "seguidores", que aparentam criar um culto a Raul, um "Raulseixismo" onde os seguidores entoam hits do cantor, raulseixistas que se preza em qualquer show que esteja presente sempre há de gritar o famoso "toca Raul" em algum momento. Os iniciados sempre com óculos esculos, cabelo desengrenhado e barbicha...aproximando ao máximo em aparência do ídolo. Uma caricatura.

Assim como os "especializados" os "raulseixistas" também apenas folclorizam a arte do ídolo. Mesmo com refrões e letras inteiras de sucessos na ponta da língua esquecem que antes de ler o livro que o guru lhe deu você tem que escrever o seu. 

Melhor do que cultuar Raul na acomodação da cerveja ou na pose de mais filhote do maluco beleza que não tem maluquez e muito menos beleza, seria "culturar" a fundo sua obra, compreendendo todo um engajamento visando a transformação social, política e cultural. Afinal, falta de cultura pra cuspir na estrutura é que era o x da questão. Se acomodar nesta estrutura carcomida e carcomizadora na qual o grande Raul, mais do que cuspir, derrubar e superar, era o grande sonho do Maluco, um sonho que ele não queria sonhar só, mas sonhar junto, pois um sonho que se sonha junto é realidade.


https://www.youtube.com/watch?v=w4Pv286KcUY


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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Mesmo na crise e principalmente por ela, poetar é bom pra rasgar

Imagino várias séries para este espaço de escrivinhamento...mas poemas sempre hão de pingar, respingar, molhar e enxurrar...


Nesse tempo de secura
clima de deserto
decerto
loucura

O único Oasis possível
para mim tem de ter
a maciez do teu colo
a sombra dos teus cachos
e a umidade dos teus lábios

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Luiz Melodia - Pérola Negra [Full Album]




Dia 04 passado nos deixou um grande artista. Mais um. Morte é coisa da vida. Ou a vida é coisa da morte? Já não tenho certeza em quase mais nada e entendam esse quase como um mirradinho que em um simples sopro de nada some da frase. Talvez tenha uma sobrevida pela convicção de que é quase sempre melhor atrasar do que faltar quando se trata de homenagens. Olha o quase de novo. Quase. 

Sim, como o terminal do Tietê em São Paulo,  na vida são incessantes as chegadas e partidas. Tem sempre alguém chegando e alguém partindo. Tudo pode ser reduzido a encontros e despedidas; intersecciondado por achados e desencontros. Somos passageiros, cuidado perpétuo pra não perder o bonde pelo peso da bagagem.

Uma forma de consolo duvidoso é dizer que os bons vão embora cedo. Digo duvidoso porque significa que os maus, pelos menos os não muito bons ficam, inclusive eu e você.

No caso do Melodia, e seguindo o raciocínio do paragráfo anterior, é que um bom artista se foi, e nem entro na discussão que ficaram maus, o problema é que não se vê bons chegando, não muito bons, pelo menos. Mas isso é muito subjetivo pra se defender com argumentos. Melhor esperar o que o rádio, o youtube ou o barzinho da vizinhança nos reserva amanhã.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Chegou Agosto

Chegou Agosto
Mês Augusto
Que não sei
a quanto custo
virou mês do 
desgosto
Mas degusto
o encosto
suposto.

Não discuto
quiçá escuto
com gosto
findo imposto.

Vejo disposto
o chegar de Agosto.